segunda-feira, dezembro 03, 2012

A ÚLTIMA PREGAÇÃO DE JESUS


Então as “ovelhas” vão dizer: “Mestre, do que o Senhor está falando? Quando é que O vimos com fome e O alimentamos, com sede e Lhe demos de beber? Quando é que O vimos doente ou preso e fomos visitá-Lo?” Mateus 25:37, 38, The Message

Em Sua última pregação antes de seguir para o Calvário, Jesus utilizou Seu método de ensino mais conhecido: a parábola. No capítulo 24 do Evangelho de Mateus, Ele esboçou o curso da história sagrada, desde o tempo dos discípulos até a segunda vinda. Em seguida, no capítulo 25, Ele falou a respeito do preparo para esse evento, encerrando com a cena do julgamento em que o justo é separado do ímpio.

A parábola das ovelhas e dos bodes aparentemente é muito simples. O pastor separa as ovelhas dos bodes, colocando as ovelhas à direita e os bodes à esquerda. De igual maneira, Jesus disse, ocorrerá no fim dos tempos, no dia do julgamento.

Jesus Se identificou como aquele que fará a separação: “O Filho do homem ocupará o Seu lugar em Seu trono glorioso. Então, todas as nações se colocarão diante dEle e Ele separará as pessoas” (Mt 25:31, The Message). Certamente é muito confortador pensar que Aquele que veio para nos salvar, oferecer Sua vida por nós no Calvário, é o mesmo que Se assentará como nosso juiz.

Mas e quanto à separação? Qual é o critério para separar as ovelhas dos bodes?

O critério nos deixa surpresos. Primeiro, porque não encontramos nenhuma especificação da fé em Jesus como nossa única esperança e salvação. Segundo, porque a separação parece fundamentar-se completamente nas obras – o que foi feito, ou o que não foi feito.

O que aconteceu com o evangelho? Onde está a graça?

Observe com atenção. Às vezes o que é óbvio está tão escancarado que nem percebemos.

Jesus separa as ovelhas dos bodes. Ele não declara que alguns são ovelhas e outros bodes; eles já são o que são. O julgamento simplesmente revela a identidade de cada um.

E as obras, ou a falta delas? Você notou o tom de surpresa? As “ovelhas” ficam surpresas (felizes) por serem elogiadas por aquilo que fizeram. A vida delas reflete o poder transformador da graça, mas elas não se dão conta disso. Não fizeram o bem para ganhar a salvação, mas porque foram salvas.

A salvação não é pelas obras, mas também não ocorre sem elas.


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(Esta meditação faz parte do devocional “Jesus, a Preciosa Graça”, editado pela Casa Publicadora Brasileira. Se desejar adquirir para você ou para presentear familiares e amigos, acesse http://www.cpb.com.br/produto-1252-meditacoes+diarias+2012+jesus+a+preciosa+graca+brochura.html ou ligue grátis: 0800-070-0606 )


domingo, dezembro 02, 2012

CRÍQUETE


Olhando firmemente para o Autor e Consumador da fé, Jesus, o qual, em troca da alegria que Lhe estava proposta, suportou a cruz, não fazendo caso da ignomínia, e está assentado à destra do trono de Deus. Hebreus 12:2, ARA

Por ter sido criado na Austrália, cresci jogando críquete. Muitas horas de minha infância foram gastas com tranquilidade (o críquete é um jogo de movimentos lentos) sob o calor do Sol.

Da Austrália para a Índia, em seguida para o Spicer College por um período de 12 anos. E mais críquete. A Índia absorveu as tradições britânicas. Nas tardes de domingo sob o Sol tropical, eu me reunia com muitos dos alunos que viviam sempre a ponto de ser expulsos da instituição, mas que nunca me deram o menor problema em classe. Encontro com eles em todo lugar que visito, alunos dos idos dias no Spicer College. Eles invariavelmente relembram duas coisas: as aulas de Vida e Ensinos de Jesus que ministrei a todos (livro de minha autoria) e críquete.

Para os inexperientes (ou seja, os que não cresceram praticando esse esporte), o críquete parece incompreensível. Em qual outro esporte os dois times podem jogar por cinco, ou até seis dias (nas partidas internacionais de críquete conhecidas como “test matches”) e no fim pode ser que todos declararem empate? A linguagem do críquete é enigmática: silly leg, the slips, silly point, no ball, wrong ‘un, googly e assim por diante. Será que foi Shakespeare que inventou uma linguagem assim? Onde mais no mundo o jogador tem que fazer uma pergunta ao árbitro antes de ele levantar o dedo indicador, sinalizando que o rebatedor está fora? O jogador derrubou o wicket (três pinos de madeira em posição vertical) – eles estão no chão –, mas ainda é preciso perguntar ao homem de calças pretas, gravata, casaco branco e chapéu (sob o Sol escaldante): “O que achou disso?” (que é respondido com um grito que soa mais ou menos assim: “Owzaaat!”)

Para os amantes do críquete, nada se compara a esse esporte. Homens – e meninos – varam a noite assistindo “test matches” em outras partes do mundo. Faz muito tempo, desde que joguei críquete, mais tempo ainda desde que assisti a última partida. Mas uma coisa ficou gravada em minha mente: manter o olhar fixo no campo. O rebatedor está ali há horas. Ele já ganhou mais de cem corridas e parece que ficará ali até “stumps” (o fim do dia). Você tira os olhos do campo por alguns segundos, ouve um triunfante “Owzaaat!” e o rebatedor sai vitorioso.

Para os cristãos no jogo da vida, apenas uma coisa realmente importa: manter o olhar fixo em Jesus Cristo.


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sábado, dezembro 01, 2012

VIVENDO COM GRAÇA


Todos falavam bem dEle, e estavam admirados com as palavras de graça que saíam de Seus lábios. Mas perguntavam: “Não é este o filho de José?” Lucas 4:22

Essa passagem é o meu modelo para a vida cotidiana. Jesus, cheio de graça, viveu graciosamente.

Discursar sobre a graça é uma coisa; viver a graça é outra história. Posso falar por experiência própria. Ao longo dos anos, com frequência e intensidade crescentes, minhas pregações e textos passaram a ressaltar a graça. A cada sermão, a cada testemunho, sou também abençoado, graça sobre graça. Mas sou obrigado a dizer que, muitas vezes, infelizmente, minha prática não condiz com minha pregação. As palavras de Jesus eram sempre cheias de graça, mas as minhas facilmente saem manchadas com rispidez e negativismo. A vida de Jesus sempre transmitiu ânimo e convicção às pessoas ao seu redor, mas a minha transmite uma mensagem misturada de qualidades positivas com egoísmo e orgulho.

De todos os aspectos da vida, creio que aquilo que falamos é o melhor meio de revelar quem e o que somos. “A boca fala do que está cheio o coração”, disse Jesus (Mt 12:34). Essas palavras foram seguidas de uma forte afirmação: “Pois por suas palavras vocês serão absolvidos, e por suas palavras serão condenados” (v. 37). Tiago observou: “Se alguém não tropeça no falar, tal homem é perfeito, sendo também capaz de dominar todo o seu corpo” (Tg 3:2).

Em meu trabalho, recebo milhares de cartas e muitos telefonemas. Leio toda correspondência, até mesmo as cartas “quentes” que preciso colocar luvas térmicas para segurar. Logo no início de minha carreira como editor da Adventist Review, sempre respondia aos questionamentos que recebia, ponto a ponto. O que significa que essas cartas voltavam para mim com uma nova rodada a ser respondida.

Com o tempo, aprendi a não argumentar, nem debater. Aprendi a responder de maneira branda e suave, agradecendo a pessoa por dedicar tempo para me escrever e dizer-lhe que talvez tivesse razão. Que diferença isso fez! Hoje, os que enviam cartas agressivas para mim voltam a escrever, às vezes com um pedido de desculpas, às vezes pedindo que eu rasgue a carta anterior.

Os telefonemas são mais difíceis. A voz acusadora do outro lado da linha incentiva a resposta automática no mesmo nível. Mas esse tipo de conversa não leva a lugar nenhum. Muito melhor é responder com palavras de paciência – palavras de graça.

Viver com graça. Esse é o meu objetivo. Fácil falar, difícil fazer, mas possível pelo poder do Espírito de Deus.


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