segunda-feira, fevereiro 17, 2014

PARA GANHAR A CRISTO

Mas o que, para mim, era lucro, isto considerei perda por causa de Cristo [...], por amor do qual perdi todas as coisas e as considero como refugo, para ganhar a Cristo. Filipenses 3:7, 8

No livro Not a Fan (Não um Fã), Kyle Idleman observa que aquilo que estamos dispostos a deixar por Cristo indica o grau de nosso compromisso com Ele. Mostra se somos reais seguidores ou apenas fãs, torcedores. Esse critério, quando aplicado a Paulo, não nos deixa com qualquer dúvida de sua entrega radical.

A busca de um respeitado modelo para ser imitado no judaísmo certamente conduziria ao erudito de Tarso. Na "crista da onda" de fama internacional, Saulo encontra-se com o verdadeiro "rival" de sua perfeição. No caminho para Damasco, ele é subitamente ferido por uma luz que nunca mais seria esquecida. A voz que o chama pelo seu nome tem o som de muitas águas: "Saulo, Saulo, por que me persegues?" (At 22:7). No chão, ferido pela luz intensa, o fariseu tem seu primeiro vislumbre da justiça perfeita. Pela primeira vez em sua vida, ele sente-se envergonhado. Suas vestes de justiça própria não passam de "trapos imundos". Todos os seus troféus, placas e impressionantes honras terrenas não passam de realizações ridículas.

Um vislumbre de Cristo é suficiente para convencê-lo de que ele havia gasto a vida na estrada errada, para o destino errado e pela razão errada. Todos os paradigmas de Saulo são alterados num instante; e sua vida, transformada completamente. O que estava na direita passa para a esquerda e o que estava na esquerda passa para a direita. Ele entende quão enganado estivera. A visão do crucificado é devastadora para sua antiga fome de aplauso terreno e busca de justiça humana. Ele sentiu-se completamente falido, reduzido à "estaca zero". Orgulhoso de suas realizações, ele se vê despido, nu espiritualmente. Tendo no passado estabelecido a norma para a avaliação de outros, Saulo agora se vê um patético fracasso.

Às vezes, penso que as pessoas "perfeitas" ou "superiores", mesmo que sejam bem-intencionadas, substituíram Jesus Cristo pelo "desenvolvimento do caráter" ou por dietas legalistas e santidade enferma, "respirando ameaças de morte" contra a igreja e os que discordam delas, buscando ilusoriamente "vencer como Jesus venceu", como se estivessem competindo com Ele. Diante da visão de Cristo, quem não se envergonha de sua justiça farisaica?


domingo, fevereiro 16, 2014

PARA MIM, O VIVER É...

Porquanto, para mim, o viver é Cristo, e o morrer é lucro. Filipenses 1:21

Algumas das peças literárias mais poderosas da história foram escritas por líderes aprisionados. Parece que há algo no confinamento – talvez a incerteza ou mesmo os abusos sofridos – que faz o prisioneiro focalizar a mente em convicções fundamentais. Mas, enquanto muitos autores aprisionados assumem uma atitude de mártir, atacando o sistema e aqueles que os aprisionam, Paulo soa radicalmente diferente.

A Epístola aos Filipenses é uma das chamadas "Cartas da Prisão". O apóstolo parece sentir no ar o pesado clima da execução (1:23), provavelmente em Roma. Mas no que ele se concentra? Paulo focaliza a vida centralizada em Cristo, cuja marca é a alegria. Como cristãos que vivem hoje em liberdade e desfrutam de oportunidades, facilmente podemos nos concentrar em pontos periféricos que, embora atrativos, têm pouco valor. Corremos o risco de perder a perspectiva daquilo que é essencial. Pense em como você completaria a frase a seguir: "Para mim, o viver é..." Observe algumas alternativas e a consequência lógica de cada uma:

Para mim, o viver é dinheiro... e morrer é deixar tudo para trás.
Para mim, o viver é fama... e morrer é rapidamente ser esquecido.
Para mim, viver é poder... e morrer é perder tudo.
Para mim, viver é possuir... e morrer é partir de mãos vazias.

Quando o dinheiro é o objetivo da vida, estamos destinados a viver subjugados ao medo de perdê-lo, o que nos transforma em paranoicos, desconfiados. Quando a fama é o alvo, nós nos tornamos competitivos, envenenados pela inveja. Se orientados pelo poder, nós nos tornamos servos de nós mesmos, vaidosos e arrogantes. Quando o viver é possuir, acabamos sendo possuídos pelo materialismo, escravizados pela ambição de ter, para quem "o suficiente nunca é suficiente". E assim os falsos deuses nos destroem.

"Para mim, o viver é Cristo" porque apenas Ele nos satisfaz, quer tenhamos ou não, sejamos conhecidos ou anônimos, quer vivamos ou morramos. A boa-nova: a morte não tira nada de nós. Ela apenas fixa para sempre o que já é nosso em Cristo.


sábado, fevereiro 15, 2014

REPRODUZIR PERFEITAMENTE O CARÁTER DE CRISTO

Toda árvore boa produz bons frutos, porém a árvore má produz frutos maus. Mateus 7:17

Falar de perfeccionismo é facilmente arriscar-se a ser mal compreendido e acusado de não crer na santificação, em um estilo de vida natural, na importância da saúde ou em qualquer outra ação dentro da área do crescimento cristão. Ainda pior do que isso é ser utilizado por outros para justificar um modelo de cristianismo descompromissado. Mas não é disso que estamos falando. Sem santificação, ninguém verá a Deus. A saúde deve ser preservada como um valioso tesouro, e o estilo de vida natural é um ideal a ser seguido. Contudo, o que se discute é que essas coisas podem facilmente tomar o lugar de Cristo, além de promover complexo de superioridade.

Um dos textos de Ellen White mais utilizados por perfeccionistas está no livro Parábolas de Jesus, página 69: "Cristo aguarda com fremente desejo a manifestação de Si mesmo em Sua igreja. Quando o caráter de Cristo se reproduzir perfeitamente em Seu povo, então virá para reclamá-los como Seus." A expressão "reproduzir perfeitamente" tem sido tomada como sinônimo de impecabilidade, como se os cristãos devessem se tornar uma duplicação de Cristo. Para muitos, o "caráter" torna-se o substituto de Cristo, assim como a lei se torna Seu substituto para os legalistas. Tenho conhecido pessoas que pensam "reproduzir perfeitamente" o caráter de Cristo seguindo a "dieta do Éden", ou seja, comendo apenas ervas e frutos que deem semente – o que exclui todo o resto, inclusive verduras e alimentos que nascem sob a terra. Para outros, isso significa não usar perfume, sabonete, desodorante, pasta de dentes. Há uma infinidade de ideias derivadas de noções equivocadas da perfeição/santificação.

Defensores de ideias perfeccionistas, contudo, nada têm que ver com o que Ellen White realmente escreveu. Todo o contexto da passagem mencionada está falando do serviço ao próximo, do interesse em sua salvação, de esquecer-nos de nós mesmos e ajudar outros. Nesse contexto, o cristão perfeito é aquele que ama e se preocupa com seus semelhantes, como Jesus, que não viveu para Si. À página 67, Ellen White menciona que "o objetivo da vida cristã é a frutificação – a reprodução do caráter de Cristo no crente". Então ela menciona que essa frutificação tem que ver com o fruto do Espírito (Gl 5:22, 23; p. 67, 68). É mais fácil ser superficial e "discutir teorias religiosas" do que ser cristão e refletir o verdadeiro caráter de Cristo, de amor incondicional e serviço.


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